_ Não posso!
Daniel pedia com os olhos.
_ Por que não?
_ Tenho que arrumar um
emprego, Daniel e é meu sonho! Não vou abrir mão dele, mas não posso negar que
fico surpreso que você tenha vindo para me pedir isso. Você nem queria nada.
_ Eu posso tentar...
Thiago sorriu, e ouviu a
última chamada.
_ Eu sei como você tenta. Eu
volto no final da semana.
Deu um abraço apertado no
amigo, pegou as malas e embarcou.
Daniel se sentiu abandonado.
Parecia um sentimento novo, não era acostumado com ele. Cada vez que o trem se
afastava, seu coração apertava e com surpresa se viu chorando em silêncio. Uma
mulher se aproximou dele pondo a mão sobre seu ombro.
_ Não fique assim, seu irmão
vai ficar bem. Ele vai voltar.
Ele olhando para a estranha,
sussurrou:
_ Espero que sim!
No trem, Thiago não chorou,
nem olhou pela janela. Sabia que voltaria no fim de semana. Não tinha com que
se preocupar. Não podia negar que ficou feliz em vê-lo pedindo para ficar, se
perguntava se teria mudado.
A viagem foi tranqüila, tudo
correu muito bem e estava indo como o planejado. Quando chegou ao aeroporto,
desceu no saguão de desembarque e correu ligeiramente os olhos pelas pessoas
que estavam ansiosas esperando os recém-chegados. Não demorou muito para
perceber a presença de um rapaz esguio com uma placa da agência de modelos com
seu nome escrito em grandes letras.
“A última coisa que vi em
grandes letras não foi nada legal!" - pensou.
O rapaz quando o viu se
dirigir a ele, abaixou a placa e sorriu.
_ Olá Thiago! Tudo bem?
_ Tudo!
_ Me chamo Guillermo, e
estou aqui para acompanhar seu trabalho esta semana na agência.
_ Ok!
_ Venha comigo, vou te levar
ao hotel e depois a agência. - disse isso estendendo a mão para ajudá-lo com as
malas.
Um táxi já esperava pelos
dois, Thiago estava deslumbrado com a cidade que era gigantesca. Ele nunca
tinha ido a uma cidade tão grande como aquela, os arranha-céus, as pontes, as
avenidas eram um espetáculo a parte. Ficou tão encantado com tudo que nem
percebeu quando o carro parou na frente do hotel.
_ Vamos? – disse Guillermo
do lado de fora.
_ Ahn? Claro, sim! Vamos.
O hotel era deslumbrante,
não se via limite nas alturas. A entrada era uma riqueza de detalhes, ao passar
pelas portas de vidro que tinham o nome do hotel gravado em letras douradas,
sentia-se um ambiente agradável, o clima levemente temperado, não era frio nem
quente, era fresco como se estivesse em campo aberto debaixo da sombra de uma
grande árvore. Uma bossa nova tocava ao fundo.
“Gente, eu não sabia o que
era riqueza! – pensou”.
Guillermo ajeitou tudo na
recepção e subiram.
_ Este é seu quarto nesta
semana, descanse um pouco e eu volte em uma hora para irmos. – disse ele
formalmente.
_ Obrigado!
_ Esteja pronto! – olhando
de baixo para cima.
_ Estarei.
O quarto do hotel era o mais
lindo que Thiago já tinha visto. A cama era tão macia que ele não resistiu.
_ Gente! Eu sempre quis
fazer isso. – tirou os sapatos e de joelhos subiu na cama e pôs-se de pé.
Tinha um sorriso de orelha a
orelha, como se estivesse diante de um brinquedo. Começou a dar impulso,
flexionando levemente os joelhos. Experimentou um salto e começou a pular.
Pulava e sorria. Gargalhava. Quando a porta abriu e Guillermo entrou vendo-o
nas alturas. Enrubesceu. No pouso, seu pé escorregou na beira da cama e se
desequilibrou caindo atrás.
_ Ai! – levantou-se
rapidamente – Estou bem! Estou bem!
_ Esqueci de deixar meu
cartão caso precise de qualquer coisa. – fez que não tinha visto, saiu
murmurando – Novatos!
Thiago sentou-se na cama e
agradeceu. Passado o tempo estipulado, Guillermo retornou ao quarto encontrando
Thiago arrumado, vestido com as roupas que já estavam disponíveis no
guarda-roupa.
_ Vamos?
A agência era algo
inacreditável. Uma grande parede de vidro permitia que o ambiente foi iluminado
naturalmente, uma grande escada de mármore negro se elevava para um andar
superior, percebia-se que era um prédio antigo, mas com toque contemporâneo.
Guillermo cumprimentava elegantemente os outros que se vestiam de todos os
estilos, mas todos muito naturais.
_ Eu vou falar com o Marlon?
_ Não! Vai direto
fotografar. Ele está ocupado no momento.
Entraram numa sala que
ficava no quinto andar, era ampla e cheia de aparatos fotográficos, luzes,
refletores, câmeras, ventiladores, pano de fundo e um camarim com espelhos,
maquiagem da mais diversas, do lado uma arara de roupas e alguns sapatos e
tênis em baixo. Apesar da aparente desordem, tudo estava estrategicamente
localizado.
_ Uau!
_ Era o que você imaginava?
_ Melhor!
_ Então vou te apresentar
seu fotógrafo, aquele que vai captar sua alma e arrancá-la do seu corpo para as
páginas – Thiago o mirou assustado, quando percebeu, sorriu – É brincadeira!
Calma! Lorenzo! Esse é o modelo do qual te falei. Temos pressa para as fotos
dele, podemos começar?
O fotógrafo de barba rala,
colete e Converse aparentava uns trinta e cinco anos, e com um sorriso e aperto
de mão, o cumprimentou.
_ Vamos lá!
Thiago percebeu durante o
dia que tinha subestimado a carreira que pretendia seguir. Viu o quanto era
cansativo ficar fazendo caras e bocas, o dia todo, mas tentou se divertir.
_ Levanta um pouco mais a
cabeça.
Trocou de roupa diversas
vezes.
_ Firma o olhar e levanta a
cabeça!
_ Faz uma cara de dúvida!
_ Cara de moleque!
_ Fique de costas!
_ Cruze as pernas!
_ Levante a sobrancelha!
_ Por hoje chega!
Thiago estava esgotado.
_ Parabéns rapaz, trabalhou
muito hoje! – disse Lorenzo
_ Obrigado, espero que
tenham ficado boas as fotos.
_ Pode apostar que sim!
_ Vamos Thiago. – disse
Guillermo
_ Onde?
_ Para o hotel. Está
liberado.
_ Mas e o Marlon, não vai
falar comigo?
_ Hoje não! Amanhã temos uma
externa!
Enquanto Thiago trabalhava,
Marlon acompanhava seu trabalho diretamente de sua sala por conferência. Sabia
que a agência tinha descoberto o novo nome das campanhas internacionais.
Continua...
©
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